Introdução

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil, confirmados pelo estudo gravimétrico realizado no Plano Regional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos dos municípios consorciados ao CONSAB, e podem ser tratados em várias escalas (doméstica, comunitária, institucional, municipal e industrial). A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), em seu art. 36, inciso V, previu, no âmbito da responsabilidade compartilhada do ciclo de vida dos produtos, a necessidade de implantação, pelos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, de sistemas de compostagem para resíduos sólidos orgânicos e articulação com os agentes econômicos e sociais formas de utilização do composto produzido.

Se mal geridos, os resíduos orgânicos podem representar um passivo ambiental aos municípios. Sua disposição final inadequada gera um efluente líquido altamente prejudicial ao solo e corpos hídricos, produz o gás metano (CH4), um dos piores GEE e altamente prejudicial à atmosfera, além de favorecer a proliferação de vetores de doenças e produzir odor desagradável à sua vizinhança. Sendo de extrema importância a adoção de métodos adequados de disposição e tratamento destes resíduos, para que a matéria orgânica presente seja estabilizada e possa cumprir seu papel natural de fertilizar os solos.

A compostagem tem se mostrado uma ótima solução para se realizar a segregação dos resíduos na fonte e como prática de educação ambiental. Uma vez separado os resíduos orgânicos dos recicláveis secos, a reciclagem desses materiais torna-se mais atraente e economicamente viável aos interessados. Então, para contribuir com a redução do lixo orgânico produzido na cidade e como forma de educação ambiental, o Consab oferece aos municípios consorciados o Projeto de Compostagem, podendo-se atuar em duas frentes. A primeira se baseia na confecção de composteiras domésticas ou minhocários e a segunda na compostagem através de leiras estáticas com revolvimento manual. Ambas necessitam de um sistema básico de coleta seletiva, ou seja, separar o “lixo” em recicláveis secos e resíduos orgânicos. O projeto se baseia como referencial teórico o “Manual para Gestão de Resíduos Orgânicos nas Escolas” de M. Ricci.

Primeira frente: Confecção de composteiras domésticas ou minhocários

A confecção das composteiras domésticas ou dos minhocários é feita com baldes ou caixas reutilizáveis. Esta é uma técnica que pode ser aplicada em residências, escolas, empresas, ambientes de trabalho, áreas comuns de prédios, espaços públicos etc. As minhocas aceleram o processo de reciclagem dos resíduos orgânicos e transformam a matéria orgânica em húmus, um adubo orgânico extremamente rico em nutrientes essenciais ao solo, além de ser possível coletar o chorume gerado no processo, que quando diluído em água, age como um biofertilizante extremamente eficiente.

Materiais e Métodos

O minhocário possui 3 caixas (ou baldes) empilhadas, no qual as duas superiores digerem (compostam) os resíduos orgânicos (caixas digestoras) e a caixa que fica em baixo (coletora) recolhe o composto líquido (chorume) que escorre das digestoras. Os furos que são feitos no fundo das caixas superiores servem para facilitar o fluxo das minhocas e do composto líquido, e nas laterais para aumentar a oxigenação do sistema. A última caixa pode conter ou não uma torneira para facilitar a retirada do composto líquido. Os resíduos orgânicos são colocados na caixa digestora superior. Quando esta é completamente preenchida, ela deve ser trocada de posição com a caixa que está no meio. Após esse manejo, o húmus e o composto presentes na caixa que ficou em cima das demais devem ser retirados para abrir espaço para a inserção dos novos resíduos orgânicos. A imagem a seguir ilustra o esquema da composteira.

Para construção do minhocário:

  • 3 baldes ou caixas de mesmo formato que possam ser empilhadas e 1 tampa;
  • Uma furadeira com broca de 4, 5 ou 6 milímetros (ou outra técnica para fazer furos em plástico);
  • Torneirinha de bebedouro;
  • Substrato para as minhocas;
  • Matéria orgânica úmida (Dar preferência à restos de alimentos frescos, como cascas de frutas, legumes, casca de ovo, borra de café. Ter cuidado com óleo de cozinha e cítricos. Evitar carnes, fezes de animais e papel higiênico)
  • Matéria orgânica seca (serragem, grama, palha, folhas);
  • Minhocas Californiana.

Procedimentos:

  • Faça de 10 a 15 furos no fundo e alguns nas laterais das caixas 1 e 2 com a broca tamanho 5 ou 6. Faça também furos na tampa com a broca tamanho 4 para respiração;
  • Corte a lateral da caixa 3 e fixe a torneirinha (use silicone para vedar a torneira) para poder retirar o chorume;
  • Coloque uns cinco dedos de terra na caixa 1 e as minhocas;
  • Deixe um ou dois dias antes de colocar os restos de comida, acrescentando uma camada fina de terra e material seco por cima;
  • Quando a caixa 1 estiver cheia, passe-a para baixo e deixe compostar, colocando a terra e os restos de alimento na caixa 2.
  • Depois de 45 dias o húmus estará pronto para uso.
  • A cada 30 dias, em média, esse material deve ser removido para que o oxigênio entre na mistura, auxiliando a decomposição. Nessas ocasiões, novos restos de alimento podem ser colocados. A imagem abaixo ilustra a composteira pronta.

    A composteira deverá ficar em lugar abrigado do sol e da chuva, podendo ser em local fechado, desde que haja ventilação. É recomendável colocar avisos dos materiais que podem ou não ser inseridos na composteira. A imagem abaixo é um exemplo dos avisos que poderão ser feitos pelos alunos e professores.

    Imagem: Proposta de quadro de avisos

  •  Segunda frente: Compostagem em leiras estáticas com revolvimento manual

    Além do minhocário, também é possível realizar a compostagem em leiras estáticas com revolvimento manual. Essa técnica aproxima mais as pessoas do processo de compostagem, às fazendo colocar a mão na massa, além de proporcionar ao ensino escolar diversas atividade pedagógicos.

    As Leiras de Compostagem irão necessitar de maiores cuidados e irão aceitar maior diversidade de resíduos orgânicos. Deverá ser escolhido um local ventilado e protegido de chuva para montagem da leira. Uma relação de Carbono e Nitrogênio no intervalo de 25/1 a 35/1 deverá ser mantida durante o processo de compostagem. Essa relação será encontrada balanceando a quantidade de nutrientes colocados na pilha de compostagem.

    “O carbono e o nitrogênio são elementos essenciais para o crescimento e a divisão das células dos micro-organismos. O primeiro, por ser a fonte de energia, e o segundo, por ser um elemento essencial para a síntese de proteínas. Portanto, carbono e nitrogênio devem ser adicionados em proporções adequadas para garantir um bom processo de compostagem.” (Massukado, 2016)

     Na imagem abaixo, pode-se visualizar algumas relação importantes de C/N.

Materiais e Métodos

Para montagem e monitoramento das leiras, será necessário:

  • Resíduos orgânicos (folhas, serragem, restos de alimentos, grama, esterco) e lembrar da proporção C/N entre 25/1 e 35/1;
  • Galhos;
  • Baldes;
  • Luvas;
  • Balança;
  • Enxada;
  • Pá;
  • Termômetro;
  • Regador.

Procedimentos:

  • Escolher o local;
  • Fazer uma única camada com galhos ou materiais grosseiros para auxiliar na aeração;
  • Colocar uma camada de resíduos orgânicos ricos em nitrogênio;
  • Colocar uma camada de resíduos orgânicos ricos em carbono;
  • Fazer isso alternadamente até a altura final – não pode ultrapassar 1,8 m de altura;
  • Cobrir a leira com folhas ou grama ou capim para protegê-la, como última camada.

A leira deverá ser monitorada periodicamente e revolvida sempre que possível. Sugere-se o acompanhamento diário ou semanal das temperaturas, bem como do volume da leira, fazendo-se gráficos e tabelas desses parâmetros.

Diversas atividades pedagógicas poderão ser trabalhadas no projeto, ao se dimensionar o volume da pilha, falando-se dos microrganismos presentes no processo, do aumento de temperatura da leira, do controle de umidade e pH, redigindo textos etc. As imagem do “Manual para Gestão de Resíduos Orgânicos nas Escolas” do ISWA abaixo exemplificam algumas relações entre compostagem e temas ambientais e os diferentes agentes envolvidos em um processo de compostagem em escolas.

Bibliografia recomendada:

“Manual para Gestão de Resíduos Orgânicos nas Escolas” – M. Ricci – International Solid Waste Association;

Compostagem doméstica, comunitária e institucional de resíduos orgânicos: manual de orientação / Ministério do Meio Ambiente, Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo, Serviço Social do Comércio. — Brasília, DF: MMA, 2017;

Compostagem: nada se cria, nada se perde; tudo se transforma/ Luciana Miyoko Massukado. _ Brasília : Editora IFB, 2016.

Revolução dos Baldinhos;