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Projeto: Sabão Ecológico

De 08/05/2019 maio 9th, 2019

O óleo de cozinha é proveniente de óleos vegetais, produzidos a partir de sementes como as de girassol, milho, canola e soja. Constitui-se por ésteres de glicerol e ácidos graxos, com consistência viscosa em temperatura ambiente (REQUE; KUNKEL, 2010).

É amplamente utilizado em estabelecimentos, lares e escolas, diariamente, devido a facilidade deste em preparar alimentos (através da fritura) e a mudança alimentar da população ao longo do tempo (MARTINS et al, 2016). Estima-se que os brasileiros consomem cerca de 3 bilhões de litros de óleo de cozinha por ano, sendo a maior parte descartada em redes de esgotos e apenas 1% destinada de maneira adequada (FATOR BRASIL, 2007).

Ao ser utilizado em altas temperaturas, gera a produção de substâncias tóxicas e, se reutilizado para o processo de fritura, gera subprodutos lipídicos; tornando-se altamente tóxico para a saúde humana (MARTINS et al, 2016).

No meio ambiente, o óleo descartado de maneira inadequada causa inúmeros problemas. Quando jogado em ralos, pode causar o entupimento das tubulações, sendo necessários produtos químicos que aumentam o custo para o tratamento da água. Quando jogado diretamente no ambiente, pode contaminar os solos e recursos hídricos (MONTE et al, 2015).

Despejado no solo, compromete sua fertilidade, atrai organismos que podem proliferar doenças e causa impermeabilização, dificultando a absorção de água da chuva, facilitando enchentes (MARTINS et al, 2016).

Nos recursos hídricos, por ser menos denso que a água, cria uma barreira superficial, diminuindo a concentração de oxigênio e causando degradação (Figura 1) (MARTINS et al, 2016). De acordo com a Resolução CONAMA 357/05, a presença de óleos e graxas nos rios de classe II deverá ser virtualmente ausente.

Figura 1. Relação do descarte inadequado de óleo com a contaminação da água.

Figura 1. Relação do descarte inadequado de óleo com a contaminação da água.

Além disso, a decomposição do óleo de cozinha provoca sua metanização, emitindo elevadas quantidade de gás metano na atmosfera, agravando o efeito estufa (REQUE; KUNKEL, 2010).

Diante disto, devido a todo o potencial danoso e como forma de diminuir o descarte de resíduos, o óleo de cozinha pode ser reutilizado para diversos fins, como produção de glicerina, composição de tintas, geração de energia elétrica, produção de biodiesel e produção de sabão (ZUCATTO et al, 2013).

Uma vez que a educação ambiental é a maneira mais viável de informar sobre as questões ambientais e sobre como diminuir os impactos negativos sobre o meio ambiente, torna-se pertinente a criação de um projeto que vise a reutilização do óleo de cozinha para a produção de sabão contando com a participação da população.

Objetivos

O projeto tem como objetivo realizar a coleta de óleo de cozinha nas escolas municipais dos municípios consorciados para reutilizá-lo na produção de sabão ecológico. O produto final será encaminhado para os municípios.

Metodologia

Público Alvo

O projeto será aplicado nos municípios integrantes do CONSAB, com pontos de coleta em todas as escolas municipais (Tabela 1). Serão disponibilizadas bombonas com capacidade de 200 l de armazenamento para que alunos possam dispor o óleo de cozinha utilizado em seus domicílios, além do óleo utilizado nos refeitórios escolares (Figura 2).

Figura 2. Bombonas que serão disponibilizadas nas escolas municipais (200l cada)

Figura 2. Bombonas que serão disponibilizadas nas escolas municipais (200l cada)

Fonte: Consab, 2019.

A coleta do óleo armazenado nas bombonas será realizada mensalmente. Este será levado ao Ecoponto de Artur Nogueira e reutilizado para a produção de sabão, sendo o produto final reencaminhado para os municípios.

Serão distribuídas cartilhas informativas sobre o projeto, bem como a forma adequada de armazenamento para posterior destinação nos pontos de coleta (Figura 3).

Figura 3. Cartilha informativa

Fonte: Consab, 2019.

Materiais e Métodos

Materiais

As quantidades abaixo correspondem a uma receita de sabão ecológico, utilizando 13,5 litros de óleo de cozinha.

  • Óleo de cozinha (13,5 l);
  • Soda Cáustica em escamas (3 kg);
  • Água fervente (3 l);
  • Desinfetante (600 ml);
  • Detergente (600 ml);
  • Sabão em Pó (600 ml);
  • Métodos
  • Colocar a água para esquentar no fogão até atingir o ponto de ebulição;
  • Colocar a água fervente em um recipiente e inserir lentamente a soda cáustica, misturando a cada adição. Mexer até a completa diluição da soda;

(Atenção: adicionar sempre a soda sobre a água e utilizar um recipiente plástico resistente, para não haver reações químicas e não derreter.)

  • Retirar as impurezas do óleo na torre de peneiramento;
  • Adicionar o óleo, a mistura de soda com água, o desinfetante, o detergente e o sabão em pó no tanquinho;
  • Misturar rapidamente de maneira manual, com o auxílio do cabo de vassoura;
  • Ligar o tanquinho para que os ingredientes misturem até homogeneizar e o sabão obter uma consistência viscosa;
  • Despejar o sabão nas caixas de madeira forradas;
  • Após 5 dias, o sabão deve ser cortado em porções individuais e aguardar o processo de cura (20 a 45 dias), mantendo-o em local fresco e sob o abrigo do sol.

O rendimento médio é de 16,8 l de sabão (64 porções individuais).

Resultados Parciais

Artur Nogueira foi o primeiro município a iniciar o projeto, escolhendo a EMEF “Francisco Cardona” como primeiro ponto de coleta. No dia 11 de abril de 2019, realizou-se uma reunião com a Coordenação da escola e a Secretaria da Educação, com a finalidade de apresentar o projeto (Figura 4).

Figura 4. Reunião de apresentação do projeto

Figura 4. Reunião de apresentação do projeto

Fonte: Consab, 2019.

No dia 23 de abril de 2019, oficializou-se a inauguração do projeto na EMEF “Francisco Cardona”. Foram realizadas palestras e atividades com os 430 alunos, professores e funcionários da escola, durante todo o dia. Informou-se sobre a importância da reciclagem do óleo, bem como os impactos negativos de sua destinação inadequada. Além disso, orientou-se sobre a forma correta de armazenamento do óleo usado para a posterior produção do sabão ecológico. Com o óleo coletado no Ecoponto desde 2018, foram produzidos sabões que serão entregues a comunidade.

A comunicação da Prefeitura de Artur Nogueira e o Portal Nogueirense realizaram a cobertura do evento (Figuras 5, 6 e 7).

Figura 5. Inauguração do projeto na EMEF “Francisco Cardona”

Figura 5. Inauguração do projeto na EMEF Francisco Cardona 1Fonte: Prefeitura de Artur Nogueira, 2019

Figura 6. Palestra com os alunos da EMEF “Francisco Cardona

Figura 6. Palestra com os alunos da EMEF Francisco CardonaFonte: Prefeitura de Artur Nogueira, 2019

Figura 7. Sabão proveniente do óleo coletado no Ecoponto

Figura 7. Sabão proveniente do óleo coletado no EcopontoFonte: Prefeitura de Artur Nogueira, 2019

Espera-se obter um resultado satisfatório com o projeto e que a participação da população seja efetiva. Que compreendam a importância da reutilização do óleo, bem como os perigos advindos de sua destinação inadequada.

Seguem as notícias publicadas sobre o Projeto Sabão Ecológico.

Referências Bibliográficas

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes e dá outras providências. Resolução n. 357, de 17 de março de 2005. Lex: Diário Oficial de União, Brasília, n. 53, p. 58-63, 2005. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=459>. Acesso em: 13 fev. 2019.

FATOR BRASIL. Projeto transforma resíduos em oportunidades de negócios. Portal Fator Brasil, jun. 2007. Disponível em: <https://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=11650>. Acesso em: 13 fev. 2019.

MARTINS, M. I. M.; MENDES, F. R. K; SOSTER, C.; FRAGA, E.; SANTOS, A. M. P. V.; SCHOREDER, N. T. Reciclo-óleo: do óleo de cozinha ao sabão ecológico, um projeto de educação ambiental. Cinergis, Santa Cruz do Sul, v. 17, n.41, p. 301-306, out./dez. 2016. Disponível em: <https://online.unisc.br/seer/index.php/cinergis/article/view/8146>. Acesso em: 13 fev. 2019.

MONTE, E. F.; FAGUNDES, T. C.; XIMENES, A. F.; MOURA, F. S.; COSTA, A. R. S. Impacto ambiental causado pelo descarte de óleo; Estudo de caso da percepção dos moradores de Maranguape I, Paulista – PE. Revista GEAMA, Recife, v. 1, n.2, set. 2015. Disponível em: <http://www.journals.ufrpe.br/index.php/geama/article/view/488>. Acesso em: 13 fev. 2019.

REQUE, P.T.; KUNKEL, N. Quantificação do óleo residual de fritura gerado no município de Santa Maria – RS. Disciplinarium Scientia, Série Ciências Naturais e Tecnológicas, Santa Maria, v. 11, n. 1, p. 50-63, 2010. Disponível em: <https://www.periodicos.unifra.br/index.php/disciplinarumNT/article/view/1266>. Acesso em: 13 fev. 2019.

ZUCATTO, L. C.; WELLE, I.; SILVA, T. N. Cadeia reversa do óleo de cozinha: coordenação, estrutura e aspectos relacionais. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 53, n. 5, p. 442-453, set./out. 2013. Disponível em: <https://rae.fgv.br/rae/vol53-num5-2013/cadeia-reversa-oleo-cozinha-coordenacao-estrutura-aspectos-relacionais>. Acesso em: 13. fev. 2019.